As nanotecnologias são aplicadas também na odontologia. Recente pesquisa na área criou modificações na superfície de implantes em escala nanométrica criando nanocavidades no metal dos implantes. Com essa técnica, se favorece a proliferação e a diferenciação de células ósseas proporcionando uma melhor adesão do metal ao organismo. Na próxima coluna continuaremos no assunto.
Quem somos nós
Grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Direito - Mestrado e Doutorado e ao Mestrado Profissional em Direito da Empresa e dos Negócios, ambos da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS, São Leopoldo - RS, com o objetivo de construir e embasar Marcos Regulatórios às Nanotecnologias, inserir o Direito na caminhada tecnocientifica e viabilizar uma fonte de pesquisa para os interessados neste tema.
Integrantes do Grupo:
Prof. Dr. Wilson Engelmann (Líder)
Afonso Vinício Kirschner Fröhlich
Cristine Machado
Daniele Weber Leal
Daniela Pellin
Patrícia dos Santos Martins
Rafael Lima
Raquel von Hohendorff
Patrícia Santos Martins
segunda-feira, 28 de junho de 2010
As Três Tecnologias do Risco Ambiental, pelo Prof. André Weyemüller
3) Nanotecnologias (continuação)
Na semana passada abordamos de maneira introdutória a terceira tecnologia de risco ambiental denominada “nonotecnologia”. Vimos que “nano” é uma escala de medida extremamente pequena equivalente a um bilionésimo de metro sendo, portanto, uma escala menor que uma célula. Referimos ainda a visionária palestra de Richard Feynman em 1959, na qual lançavam-se as bases de uma tecnologia que hoje é uma realidade e que no futuro representará uma nova forma de ver o mundo e de se relacionar com os elementos da natureza.
Tudo indica que vivemos uma realidade de grandes mudanças e de rápido avanço da técnica, sendo que as nanotecnologias podem ser consideradas uma “nova revolução industrial” em face das inúmeras possibilidades que se abrem. Assim como foi com a tecnologia atômica e depois com a genética, importantes melhorias na qualidade de vida foram produzidas. Porém, junto com essas melhorias temos que conviver com todos os aspectos negativos que a técnica ocasiona. É justamente isso que entendemos por “risco”. Conforme tratamos na série de colunas sobre o aquecimento global, a ação transformadora do homem está afetando sensivelmente o clima e produzindo riscos diversos e imprevisíveis. Com as nanotecnologias não é diferente.
A possibilidade real de “organizar” átomos da forma como nos for mais útil criando novos materiais e potencializando características positivas, implica em aceitar a imprevisibilidade do futuro repleto de riscos. Já é possível a produção de objetos a partir de estruturas de dimensões extremamente minúsculas, multiplicando as possibilidades de desenvolvimento de novos materiais e tratamentos de saúde nunca imaginados. Antes de falar nos riscos e benefícios, destaca-se que as principais aplicações das nanotecnologias são: medicina, eletroeletrônica, farmácia, biotecnologia, ambiental entre outras. Nessas áreas, a aplicação das nanotecnologias mostra-se de vasta aplicabilidade prática em benefício do bem-estar.
Várias descobertas foram feitas a partir de pesquisas com nanotecnologias, entre elas o estudo das nanopartículas de carbono que podem contribuir para uma nova geração de materiais eletrônicos, ímãs de alta potência, rolamentos de dimensões microscópicas e materiais de construção de alta resistência. Uma análise inicial indica que todos esses produtos representam um acréscimo significativo na melhoria das condições de vida quando bem aplicados.
Possivelmente a área que mais promete em termos de benefícios diretos para a humanidade é a medicina. Pesquisadores americanos já desenvolveram estruturas esféricas de tamanho microscópico que podem carregar medicamentos para serem aplicados diretamente em células cancerígenas. Com essa técnica elimina-se grande parte do risco de afetar as células sadias como ocorre nos tratamentos tradicionais de quimioterapia que apresentam sérios efeitos colaterais. Muitas pesquisas se desenvolvem atualmente e indicam ser possível utilizar pequenos sensores, computadores e aparelhos que permitirão um controle contínuo da saúde dos pacientes dando maior eficácia aos tratamentos.
As nanotecnologias são aplicadas também na odontologia. Recente pesquisa na área criou modificações na superfície de implantes em escala nanométrica criando nanocavidades no metal dos implantes. Com essa técnica, se favorece a proliferação e a diferenciação de células ósseas proporcionando uma melhor adesão do metal ao organismo. Na próxima coluna continuaremos no assunto.
As nanotecnologias são aplicadas também na odontologia. Recente pesquisa na área criou modificações na superfície de implantes em escala nanométrica criando nanocavidades no metal dos implantes. Com essa técnica, se favorece a proliferação e a diferenciação de células ósseas proporcionando uma melhor adesão do metal ao organismo. Na próxima coluna continuaremos no assunto.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
As Três Tecnologias do Risco, pelo prof. André Weyermüller
3) Nanotecnologias
Na coluna anterior concluímos a abordagem da segunda tecnologia do risco ambiental, os transgênicos. Sintetizamos alguns fatos importantes relacionados à cultura da soja transgênica e da polêmica que envolveu o assunto. Com isso, foi possível compreender um pouco melhor a questão.
Da mesma forma que ocorreu com a tecnologia atômica e a genética, a nanotecnologia desenvolveu-se em conjunto com outras tantas técnicas e conhecimentos acumulados em décadas por vários ramos da ciência. Nanotecnologia é uma ciência multidisciplinar que está intimamente ligada à manipulação de átomos e moléculas. Essa manipulação guarda algumas semelhanças com a atômica e a genética, porém trata-se de algo novo, um conhecimento de aplicações e possibilidades quase inimagináveis que vamos tentar compreender. O autor faz parte de um grupo de pesquisas desenvolvido na Unisinos sobre o tema. Oportunamente trataremos de divulgar esse trabalho.
Nano é uma escala de medida. A título de exemplificação, uma célula humana tem algo em torno de 20 micrômetros de diâmetro. Um micrômetro equivale a um milionésimo de metro.Realmente trata-se de uma escala de medida muito pequena, muito difícil de imaginar. Porém, o estudo das células através de microscópios é algo comum e tal medida auxilia os cientistas em suas pesquisas. Se um micrômetro equivale a um milionésimo de metro, um nanômetro equivale a um bilionésimo de um metro! Isso significa que estamos falando de uma medida equivalente a três ordens de grandeza menor do que a célula. Certamente que medir estruturas e fazer manipulações numa escala tão reduzida causa certo desconforto, causa a impressão de que estamos lidando com algo extremamente avançado, mas que implica em riscos consideráveis em virtude da possível perda do controle sobre tal manipulação na natureza.
No distante ano de 1959, o físico americano Richard Feynman proferiu uma palestra para a Sociedade Americana de Física intitulada “existe muito mais espaço lá embaixo”. De forma visionária e antecipando um futuro na época distante, ele tratou de expor a possibilidade de inserir o conteúdo de vinte e quatro volumes da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete. O estudo era baseado na possibilidade de organizar os átomos da maneira que desejarmos. Algo totalmente impossível em termos tecnológicos na época. Porém, sua antecipação do futuro deu início a uma sucessão de descobertas científicas que possibilitam hoje chegar a miniaturizações fantásticas de componentes eletrônicos que permitem a humanidade utilizar-se de maravilhas nunca imaginadas no passado e que agora estão inegavelmente presentes em nossas vidas, querendo ou não.
Richard Feyman não utilizou o termo nanotecnologia em sua famosa palestra visionária. Foi Eric Drexler que tornou o termo popular nos anos 80 ao se referir à construção de máquinas tão pequenas que teriam escala molecular com poucos nanômetros de tamanho. Entre essas máquinas defendia a possibilidade de criar motores, robôs e computadores muito menores que uma célula! Drexler ocupou-se nos anos seguintes a descrever esses aparelhos e responder às acusações de ficção científica.
Sabemos das incríveis possibilidades de alteração da natureza através da ação transformadora do homem. Conhecemos e usamos um número imenso de produtos e equipamentos que facilitam nossas vidas e que estão cada vez menores e mais potentes. Em poucos anos os computadores reduziram drasticamente de tamanho e peso, tornando qualquer produto obsoleto em pouco tempo em virtude da velocidade com que as inovações são introduzidas no mercado. Nanotecnologia é muito mais que reduzir o tamanho de um celular. Trata-se de uma espécie de engenharia em escala muito reduzida capaz de colocar os átomos no lugar que desejamos para obter materiais incríveis, dignos de um filme de ficção científica. Para compreender essa terceira tecnologia do risco, precisamos de mais espaço. Na próxima coluna falaremos mais.
terça-feira, 8 de junho de 2010
As Três Tecnologias do Risco, pelo prof. André Weyermüller
2) Transgênicos (continuação)
Relembrando a coluna anterior, falamos sobre alguns dos riscos que os transgênicos representam, entre os quais o aumento do uso de defensivos agrícolas, possíveis reações alérgicas, bem como os riscos de ordem econômica representada pelos oligopólios de grades empresa multinacionais como a Monsanto que são detentoras das patentes e de tecnologias como a terminator e a trator que reforçam a dependência dos produtores rurais. Em tempos de escassez de alimentos e de alta competitividade, dificilmente as objeções à tecnologia dos transgênicos poderiam resistir muito tempo. Como referimos na primeira coluna sobre os transgênicos, essa tecnologia vem evoluindo de longa data com a genética. A questão não é nova, portanto.
Conforme referimos na última coluna, no Brasil a questão da transgenia levou a uma discussão judicial visando proteger os consumidores que até hoje não sabem muito bem do que se trata. Fazendo um breve resumo dos acontecimentos, tem-se que em agosto de 1998 o Greenpeace obteve liminar junto a Justiça Federal para o fim de suspender a comercialização de óleo que a Ceval produzia com soja transgênica importada dos Estados Unidos conforme autorização que recebeu da CTNBio. Ainda no mesmo ano, o IDEC (em defesa dos consumidores) ajuizou uma ação civil pública a fim de exigir a realização de um estudo de impacto ambiental e um relatório de impacto ao meio ambiente (conhecido por EIA/RIMA), o que foi deferido pelo Judiciário. A Monsanto recorreu da decisão a fim de não fazer os devidos estudos de impacto, mas seu recurso não foi acolhido.
No ano de 1990, seguiu-se uma batalha judicial paralela encabeçada pelo Greenpeace visando impedir o desembarque de grãos de milho suspeitos vindos da Argentina. Foram realizados testes para averiguar a presença de elementos transgênicos em produtos alimentícios comercializados no Brasil e descobriu-se que 12 dos 42 produtos testados continham elementos transgênicos sem indicar isso no rótulo. No mesmo ano, o Judiciário acabou liberando a entrada de milho argentino para suprir a falta do produto no mercado interno destinado à alimentação de frangos. Em 2001 ocorreu em Não-Me-Toque a destruição de uma lavoura experimental de soja transgênica com a participação do ativista francês José Bové, fato que causou grande polêmica na época. Em junho do mesmo ano, realizaram-se novos testes em produtos comercializados (alguns bem conhecidos) e constatou-se novamente a presença de transgênicos em vários deles, fato que se repetiu em 2002. De lá para cá, passaram a ser cultivadas espécies transgênicas em escalas cada vez maiores e o assunto caiu no esquecimento. No Rio Grande do Sul, os primeiros plantios foram ilegais, passando depois a “legalidade” uma vez que já estavam consumados e não podiam ser destruídos por óbvios motivos econômicos.
Os consumidores hoje não estão bem informados sobre o assunto que não deixou de ser importante. A rotulagem é um aspecto que precisaria ser fiscalizado e receber uma atenção especial da legislação, uma vez que garante o direito de optar entre consumir ou não esses produtos. A legislação brasileira sobre o tema consiste basicamente em decretos determinando a rotulagem e uma lei (n.11.105/05) que estabeleceu normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados.
Seja como for, provado ou não algum efeito nocivo, trata-se de uma tecnologia boa em parte, mas que representa risco e por esse motivo merece atenção e cuidado especiais. Muito mais se poderia falar sobre o tema, mas já foi o suficiente para se ter uma idéia geral. Na próxima coluna vamos tratar da terceira e última das tecnologias do risco: nanotecnologias.
sábado, 29 de maio de 2010
Prêmio Nacional de Direito Ambiental "José Bonifácio de Andrada e Silva". IDPV
Prezados amigos, colegas e seguidores do blog,
venho por meio deste post fazer meus agradecimentos a todos que ajudaram, participaram e contribuíram para a concretização do "Diálogo entre Nanotecnologias, Direitos Humanos e Direito Ambiental". Monografia que foi premiada com a 2º colocação na categoria "Estudantes da Graduação" pelo Instituto o Direito por um Planeta Verde.
Um agradecimento especial: a) aos integrantes do Grupo JUSNANO, cujo prêmio é em homenagem pela dedicação de todos na busca de esforços intensivos e transdiciplinares para concretização e efetivação de Direitos nessa nova era (nano)tecnológica; b) a Coordenação do Curso de Direito da Unisinos e ao Programa de Pós-Graduação; e c) a UNISINOS pelos esforços e pelo apoio no trato das Nanotecnologias e Marcos Regulatórios, mormente com o novo desafio de inflexão tecnológica.
Meus sinceros agradecimentos.
Aproveito a oportunidade também de elogiar e parabenizar o belíssimo evento que ocorreu no último final de semana, extendendo-se, também, na segunda, terça e quarta-feira em São Paulo, organizado pelo IDPV, destacando-se a Prof. Sílvia Cappelli, e os profs. Antonio Herman Benjamin, Eladio Lacey, José Rubens Morato Leite e Carlos Teodoro Irigaray. Evento este considerado o maior da América Latina em Direito Ambiental.
Um grande abraço,
André Stringhi Flores
Na foto: André Stringhi Flores na cerimônia de premiação no Palácio do Governo do Estado de São Paulo
terça-feira, 18 de maio de 2010
MEMBRO DO GRUPO JUSNANO É AGRACIADO COM O SEGUNDO LUGAR NO PRÊMIO NACIONAL DE DIREITO AMBIENTAL JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA
O aluno da graduação em Direito e Membro do Grupo André Stringhi Flores receberá em cerimônia a ser realizada no dia 23/05, das 12:00h - 13:00h, na Fundação Mokiti Okada (Rua: Morgado de Mateus, nº 77, Vila Mariana, São Paulo) e as 19:00h do mesmo dia (23/05), no Palácio do Governo de São Paulo, o Prêmio de segundo lugar no Concurso realizado pelo Instituto "O Direito por um Planeta Verde".
As Três Tecnologias de Risco Ambiental, pelo Prof. André Weyermüller
2) Transgênicos (continuação)
Na última coluna falamos sobre os
transgênicos e passamos a conhecer os benefícios e riscos de sua utilização.
Enumeramos benefícios como as técnicas de biorremediação de locais que foram
afetados por um dano ambiental, a diminuição do uso de herbicidas em lavouras
transgênicas, a tolerância maior em climas adversos, entre outros. Quanto aos
possíveis riscos, referimos a contaminação de culturas tradicionais por
transgênicas e o aparecimento de pragas resistentes. Pois bem, como não foi
possível falar sobre todos os riscos, vamos conhecer mais alguns:
O aumento do uso de defensivos agrícolas
é apontado como uma possibilidade real por alguns estudos. Em certas
configurações climáticas, culturas transgênicas necessitariam de maior
quantidade de produtos químicos para ter êxito comercial. Possíveis reações
alérgicas e alterações no metabolismo humano devido ao consumo de transgênicos
podem ocorrer levando em consideração que a manipulação genética é capaz de
provocar a produção de substâncias desconhecidas pelas plantas, o que poderia
causar reações não previstas no corpo humano.
Além dos riscos biológicos e dos ligados
a saúde, temos riscos de ordem econômica. Como toda tecnologia que dispomos, a
transgenia é resultado de dispendiosos estudos científicos financiados por
empresas que pretendem comercializar os produtos resultantes desse processo de
pesquisa. Assim como ocorre com a indústria farmacêutica, que investe pesado no
desenvolvimento de novas drogas com objetivos econômicos, a indústria da
genética também precisa de retorno financeiro. Assim, a indústria das sementes
geneticamente modificadas forma um oligopólio para melhor defender seus
interesses, pois empresas como a Monsanto, DuPont e Syngenta atuam em várias
frentes a fim de dominar todas as fases da cadeia produtiva de alimentos e
produtos farmacêuticos. Essas multinacionais possuem os meios financeiros e
científicos para permanecer sempre adiantadas nas pesquisas e na distribuição
de produtos em todo o mundo, fazendo com que o setor agrícola fique dependente
de um pequeno grupo de empresas que podem ditar os preços e controlar o
fornecimento de sementes e a venda de defensivos agrícolas necessários para
essas culturas.
Dominando a tecnologia e o mercado, as
empresas multinacionais detentoras das patentes tornam os pequenos produtores
dependentes. Duas tecnologias criadas juntamente com os transgênicos objetivam
garantir essa dependência econômica. Trata-se da terminator e da trator.
A primeira consiste em introduzir genes específicos que tornam a planta estéril
na segunda geração, ou seja, as sementes precisam ser compradas da empresa,
pois não se reproduzem mais, garantindo o esperado retorno financeiro. A tecnologia
trator consiste em condicionar uma
planta geneticamente modificada a necessitar da aplicação de um produto químico
específico para ativar ou desativar certas características desejáveis como
resistência a insetos, florescimento, sabor e qualidades nutricionais. A
dependência dos agricultores fica evidente devido à necessidade de adquirir
sementes e produtos químicos para manter sua atividade. Trata-se assim de um
risco econômico.
Apesar dos riscos inerentes aos produtos
transgênicos, verificamos que existem benefícios que não podem ser ignorados.
Soja, milho, algodão e canola são as principais culturas transgênicas
comercializadas no mundo e já estão presentes nas mesas de um número
incalculável de pessoas que deveriam ser os destinatários de uma efetiva
proteção de seus direitos de consumidores. No Brasil a questão dos transgênicos
teve início com uma discussão judicial visando proteger os consumidores.
Falaremos sobre isso na próxima coluna.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
As Três Tecnologias de Risco Ambiental, pelo Prof. André Weyermüller
2) Transgênicos (continuação)
Na última semana iniciamos a análise da tecnologia genética falando de transgênicos que é segunda das três fontes de riscos ambientais que iremos conhecer. Falamos sobre a origem e o desenvolvimento da engenharia genética e fizemos a devida diferenciação entre um organismo geneticamente modificado (OGM) e um transgênico. Afirmamos que todo organismo transgênico é um OGM, mas nem todo OGM é um transgênico.
Vamos então prosseguir no tema para entendê-lo melhor. A transgenia nos dias de hoje, é um tema que não ocupa mais posição de destaque na mídia. O assunto já foi mais badalado no início da década. Muito se falou, uma lei foi produzida, mas pouca coisa avançou em termos de proteção dos direitos do consumidor. É como se a questão não tivesse mais importância, como se tivesse sido superada. Infelizmente o que se vê é a grande desinformação sobre o tema e o desinteresse em esclarecer melhor as coisas para que todos saibam dos riscos e benefícios e possam optar entre consumir ou não alimentos e produtos transgênicos.
Passemos então a conhecer primeiramente os benefícios que a literatura apresenta sobre o tema: Quando ocorre a degradação ambiental de uma área contaminada por um produto químico ou material, faz-se necessário aplicar técnicas de biorremediação e restauração. A biorremediação pode ser feita aplicando microorganismos geneticamente modificados no tratamento desses locais. Outra vantagem defendida por estudiosos consiste na redução de impactos ambientais devido à diminuição da utilização de herbicidas em lavouras transgênicas que necessitariam menos produtos químicos para seu desenvolvimento. Um terceiro motivo para defender os transgênicos é a tolerância maior em condições climáticas adversas como frio, seca e acidez do solo.
Desenvolvendo características mais resistentes nas culturas é possível alargar áreas de cultivo e ter perdas menores decorrentes das características do ambiente. Vinculado a isso teríamos o aumento da produtividade das colheitas geneticamente modificadas em relação às tradicionais. Outro aspecto positivo destacado é a possível redução dos custos de produção que estão vinculados a vários fatores que somados representam certa vantagem competitiva em relação às culturas tradicionais, pois as sementes modificadas geneticamente apresentam características melhoradas inclusive no que se refere à qualidade nutricional. Ainda sobre as vantagens da tecnologia, tem-se a produção de plásticos biodegradáveis produzidos a partir de material orgânico associado com bactérias modificadas. Por fim, a produção de substâncias como vacinas e biofármacos podem ser obtidas utilizando a tecnologia da modificação genética. Conhecidos alguns dos benefícios possíveis com a utilização de transgênicos vamos analisar os possíveis riscos.
Tudo que fazemos implica em riscos. Eles fazem parte de nossas vidas de maneira inseparável. Assim, quando abordamos riscos em atividades ou técnicas que podem também ser benéficas como visto é preciso deixar claro, antes de apontar os riscos, que não se está procurando condenar os transgênicos. Pretende-se, isso sim, formar uma consciência mais apurada sobre o tema. Nada pior que a desinformação. Alguns estudos indicam que é possível que determinados insetos e bactérias do solo sejam eliminadas devido à utilização de transgênicos. Outro aspecto de risco ambiental é a possível “contaminação” de culturas tradicionais por transgênicas por meio de pólen, o que acabaria por prejudicar produtores que investissem nas culturas tradicionais. O aparecimento de insetos e plantas mais resistentes que o normal (superpragas) em face da incorporação de elementos transgênicos que poderiam modificar suas características naturais menos danosas. Isso implicaria na necessidade de aumento na utilização de produtos químicos nas lavouras ao contrário de uma redução como defendem os estudos que defendem as vantagens dos transgênicos. O assunto precisa de mais espaço. Assim, na próxima coluna continuaremos tratando do mesmo.
terça-feira, 4 de maio de 2010
As três tecnologias de risco, pelo Prof. André Rafael Weyermüller
2) Transgênicos
Na última coluna concluímos a exposição acerca da tecnologia nuclear, que foi a primeira das três fontes de riscos ambientais. Lembramos dois acidentes envolvendo a tecnologia nuclear (Chernobyl e Goiânia) que demonstram na prática os riscos envolvidos. Também destacamos a utilidade prática e a aplicação na medicina.
Passaremos para a próxima tecnologia de risco ambiental: Transgênicos. Antes de falar dos transgênicos precisamos compreender alguns conceitos importantes e a evolução da biotecnologia. Ainda na Antiguidade, encontra-se registro de suas primeiras aplicações com a fabricação de cerveja pelos Sumérios em torno de 1750 antes de Cristo. Em 1663, Robert Hooke descobre as células vegetais. Em 1830 descobrem-se as proteínas e em 1863 Gregor Mendel descobre que as características de uma espécie são transmissíveis através de unidades independentes que mais tarde foram denominadas de genes. Em 1944, Oswald Avery comprova que o DNA é a substância que constitui um gene. Em 1973 Cohen e Boyer fazem o primeiro experimento de DNA recombinante ao transferir um gene de sapo para uma bactéria.
Toda essa evolução científica começou a apresentar resultados aplicáveis em benefício da humanidade com a produção de insulina que foi o primeiro produto de biotecnologia aprovado nos Estados Unidos (1982), seguido pela produção de interferon para o combate ao câncer. Em 1996 os cientistas criam a famosa ovelha Dolly clonada de outra ovelha geneticamente igual a ela. Como visto, essa tecnologia vem evoluindo de longa data, mas apresentou uma rápida evolução nas últimas décadas e representou uma importantíssima contribuição para varias áreas da ciência que dela dependem. Através das técnicas da engenharia genética é possível isolar qualquer gene de qualquer espécie e transferir o mesmo para o genoma de qualquer outro ser vivo.
Por exemplo: É possível transferir para plantas os genes de um mamífero, de uma planta ou de um vírus. Visa-se com isso o melhoramento de uma espécie vegetal ou animal através de um gene que, combinado com os genes originais do organismo, melhora de alguma forma suas características como tamanho, quantidade de nutrientes, etc. Na prática, foram criadas plantas resistentes a insetos, hormônios humanos, bactérias capazes de degradar resíduos de petróleo e lixo tóxico entre outros. Convém fazer uma diferenciação inicial entre organismos geneticamente modificados e transgênicos. Geralmente os dois termos são utilizados como sinônimos, porém, existe uma diferença fundamental: Considera-se transgênico o organismo que foi modificado geneticamente com a introdução de genes de outra espécie. Ou seja, foi introduzido um gene que não pertence à espécie daquele organismo, como no caso de um vegetal que recebe um gene de uma bactéria para melhorar suas características. É o caso da soja transgênica criada pela empresa Monsanto conhecida por Roundup Ready que foi modificada com a inserção de genes de bactérias. Considera-se organismo geneticamente modificado (OGM) o organismo que foi modificado através da introdução de um gene da mesma espécie. Por exemplo, temos o tomate Flavr Savr conhecido por tomate “longa vida” que demora mais para amadurecer devido a uma mudança genética feita através de uma inversão de genes dele próprio, ou seja, da mesma espécie. Assim, temos uma diferença fundamental entre OGM e transgênico.
O termo transgênico foi usado pela primeira vez em 1983 por Gordon e Rudle e passou a ser sinônimo de organismo alterado geneticamente. Podemos então afirmar, que todo organismo transgênico é um OGM, mas nem todo OGM é um transgênico. Na próxima coluna continuaremos falando dessa tecnologia.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
GRUPO JUSNANO NO 14º CONGRESSO INTERNACIONAL DE DIREITO AMBIENTAL - SÃO PAULO
O Grupo Jusnano através de seus membros André Stringhi Flores e Wilson Engelmann estará apresentando trabalho com o título "NANOTECNOLOGIAS E O IN DÚBIO PRO AMBIENTE :UM OLHAR AMBIENTAL SOBRE OS RISCOS DO EMPREGO DE MATERIAIS COM ESCALA NANOMÉTRICA" no 14º CONGRESSO INTERNACIONAL DE DIREITO AMBIENTAL e 15º CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO AMBIENTAL na cidade de São Paulo nos dias 24 e 25 de maio.
Aproveito a oportunidade para fazer a divulgação do renovado evento e agradecer pela oportunidade concedida. Colacionado o folder abaixo:

Maiores informações no site: http://www.planetaverde.org/
Obrigado pelo carinho e atenção de todos,
André Stringhi Flores
Pesquisador em Nanotecnologias e Marcos Regulatórios.
terça-feira, 27 de abril de 2010
As três tecnologias de risco ambiental, pelo Prof. André Weyermüller
1) Nuclear (continuação)
Na última coluna iniciamos uma análise de três tecnologias que representam riscos ambientais: nuclear, genética (transgênicos) e nanotecnologias. A primeira dessas três fontes de riscos ambientais foi objeto de um breve resumo sobre sua origem e desenvolvimento na semana passada. Vimos que sua origem deu-se em virtude da estratégia de guerra dos Estados Unidos que utilizaram bombas atômicas contra duas cidades japonesas indefesas, finalizando a Segunda Guerra Mundial. O enorme poder que essa tecnologia representava logo passou a ser compartilhado entre as duas potências vencedoras da guerra, Estados Unidos e União Soviética que iniciaram uma corrida armamentista e um ambiente de insegurança conhecido como Guerra Fria.
Paralelamente a aplicação militar, desenvolveu-se uma fonte de energia importante com as usinas nucleares largamente utilizadas no mundo. Até o Brasil possui usinas em Angra dos Reis com projeto de ampliação. Em relação a poluentes, as usinas nucleares não impactam o meio ambiente como as termelétricas. A produção de energia elétrica em usinas nucleares é feita através do aquecimento de água por urânio (material radioativo) que faz mover a turbina. Quando controlado dentro dos padrões exigidos, esse processo não causa dano ao meio ambiente.
O cientista James Lovelock, por exemplo, defende a idéia de que essa forma de produção energética seria a única solução para combater o aquecimento global. Porém, os riscos que envolvem tal atividade são consideráveis devido ao problema da destinação do lixo atômico e a possibilidade de um acidente como o corrido em Chernobyl (na antiga União Soviética) em 1986. Trata-se do maior acidente nuclear da história decorrente da explosão do reator nuclear que liberou uma nuvem de radioatividade que atingiu praticamente toda a Europa. Dezenas morreram no acidente e muitos outros nos trabalhos de isolamento do núcleo do reator. Estima-se que milhares ainda morram em decorrência de câncer causado pela radiação. Enormes prejuízos econômicos em toda a Europa ocorreram devido à contaminação do gado, sem contar os moradores da cidade de Pripyat, próxima da usina e que hoje não pode ser habitada em virtude da radiação.
Além da aplicação na produção de energia, a medicina também se utiliza da tecnologia para variados exames e procedimentos de radiologia, radioterapia e medicina molecular que também não estão isentos de riscos. Em 1987, na cidade de Goiânia, um aparelho usado em radioterapias que estava abandonado no prédio de uma clínica que mudou de endereço foi furtado por um dono de ferro-velho que desmontou o invólucro de chumbo que protegia o material radioativo denominado “césio-137” para vender o material. Ao romper a proteção, descobriu em seu interior um pó azulado que brilhava no escuro e que foi mostrado para diversas pessoas que inclusive tocaram o material. Logo em seguida começaram a apresentar sintomas de contaminação por radiação sem saber do que se tratava. Até que as autoridades de saúde tomaram ciência da natureza da contaminação, mais de cem mil pessoas já tinham mantido contato com a radiação, sendo que dezenas foram contaminadas com várias mortes. Até hoje, existem pessoas que sofrem de doenças relacionadas ao acidente.
Os casos de Chernobyl e Goiânia são emblemáticos e demonstram os riscos que essa tecnologia representa para o meio ambiente quando não for bem controlada, sem esquecer-se do risco da utilização de armas nucleares que tanto podem ser utilizadas por países (vários possuem em seus arsenais) quanto por terroristas que também podem acessar tal tecnologia e causar, além de destruição em massa, danos ambientais irreversíveis. Vejam o caso da Coréia do Norte e seu ditador que investe a maior parte de seu orçamento em armamentos incluindo armas atômicas. A tecnologia nuclear é ao mesmo tempo positiva e fonte de sérios riscos ambientais. Convivemos com uma realidade contraditória onde a precaução é necessária. Na próxima coluna falaremos sobre a segunda tecnologia.
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